Autora: Amanda Kelly.
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O novihomem do Ocidente é um cu pensante.
Sim: o status de ser (um) humano parece estar se distanciando com rapidez dos representantes hodiernos da raça.
Nunca se viu tamanha estranheza nos atos, idéias e rumos que o macho tem desde que o mundo é mundo: nem nos mais tensos ciclos metafísicos. Há algo errado. Muito errado.
O novihomem perdeu o senso de autopreservação. Mesmo se considerando tão-somente um primata sofisticado (ou fingindo considerar-se), nem ao menos os instintos mais básicos de um primata o Novo-Homem tem mais. Não pressente mais perigos iminentes, tal qual o comportamento hostil/agressivo de outros indivíduos em situações de ameaça óbvia (como assaltos): a quantidade de reações estranhas ao Ser masculino (pavor histérico, passividade lunar ou surpresa infantil) flagradas em câmeras de segurança parece-me afigurar-se como regra ao invés de exceção. Não pressentindo ameaças à própria existência, quiçá notariam sutilezas das relações humanas que não se transmutam em atos dramáticos, mas permanecem na ordem do velado, subentendido (daí a anedótica "incapacidade" masculina para perceber e sentir): essa incapacidade não me parece inata, mas sim uma mutilação no progresso do ser menino ao tornar-se homem.
Ora, se o Novo-Homem é indefeso e incapaz para si, que o diga para as outras espécies das gentes (mulheres e meninos): já cheguei a ponto de (não poucas vezes) sentir, a uma distância cerimoniosa, dó profunda da inconsciência de si mesmos como machos e até responsável pela "segurança" de homens, conhecidos e desconhecidos meus. Não me alegro nem me orgulho disso.
O novihomem é viciado em prazer. Tal qual um primata com eletrodos ligados à cabeça nas regiões do prazer sexual, o Novo-Homem está condicionado ao prazer físico máximo com desconforto mínimo de tal modo que, para alcançar essa equação torta, é capaz de renegar honra, família e fé. Sem limite, critério, ordem ou ciência de si próprio como criatura, transmuta-se, numa Alquimia Moderna do material humano, em coisa, máquina de trepar, o "amante robótico" dos Mamonas Assassinas. Para entristecer mais ainda as donas que porventura leiam isto, vos digo ainda: os machões que vos enchem os olhos freqüentemente falham nos testes femininos de virilidade (autossuficiência, segurança de si próprio, certeza da própria sexualidade): de tão nebulosos que estão os conceitos e de tão inflamadas as carnes pelo prazer sexual, os marmanjos-machões que vides a urrar pelas redes sociais a própria macheza fraquejam ante o pedido insistente de experiências tipicamente homossexuais (o famoso fio-terra, e, se insistirem mais, cedem também na exclusividade sexual antes só para mulheres). Simplificando: mediante insistência dócil, aceitam experiência gay. Não inventei isso: é tudo fruto de depoimentos e testes (não necessariamente realizados por mim, mas colhidos alhures). Quando os gays dizem que o mundo é gay... nem sempre é exagero.
O Novo-Homem é alegrinho, melindroso, parvo e mofino; submisso, rancoroso e apavorado. Engajado: seja na própria saúde e o tal "bem-estar" (fetiche lingüístico pop que me nauseia), seja em "mudar o mundo", não demonstra mais a independência e liderança que tanto lho marcaram em milênios de civilização, mesmo em projetos simplórios. Vivemos numa era de homens com espírito serviçal.
O Novo-Homem só usa a força física para subjugar a fêmea: somente neste atributo masculino mais que vulgar ele consegue se realizar (incompleto, pobre diabo!). Quando a masculinidade demanda de si durezas como o sacrifício e renúncia, o macho moderno corre e se esconde. Nas épocas de crise como a que vivemos, a virtude genuína masculina praticamente desaparece sob a pusilanimidade e a fraqueza travestida de piedade, e o macho brutal, feroz e tosco faz as vezes de modelo masculino.
A atenção dada ao orifício retal (ativistas que tatuam o cu em protesto contra Trump [??], pichações com as palavras de ordem [??] "cu é lindo" e a inesquecível peça "Macaquinhos") não é somente fruto da intenção revolucionária de chocar: é um sintoma. Com o desespero e angústia metafísica do distanciamento do projeto original de homem, o macho moderno uiva entre a sofreguidão da carne e a angústia do espírito. Esta tensão não está só nas pobres almas presas da mentalidade revolucionária: perpassa quase todos os machos da espécie, se expressando com maior ou menor intensidade. Masculinidade saudável, a contento, há poucas.
E assim nasceu o homem-cu. O homem-cu é uma massa amorfa, sem poder nas mãos: quando não está conformado a uma atitude bovina perante a vida, lança-se à busca pelo poder da maneira mais porca e velhaca possível.
Que falta ao Novo-Homem?
Sexo? Com certeza não. Nunca houve tanta abundância de estímulo sexual (e ao mesmo tempo tanta insatisfação amorosa).
Sentido da existência? Os índices não desprezíveis de suicídio (além de crescentes, mais prevalentes no sexo masculino) parecem apontar que, sim, a vida parece muito mais insana e sem propósito do que já foi.
O resgate da mulher como musa inspiradora, símbolo de ordem e propósito? Se perguntarem às mulheres, talvez elas respondam que, sim, querem muito ser amadas e fazer um outro homem feliz, mas tudo conspira contra esse propósito.
Se tiverem respostas ou saídas, digam-me, porque eu não sei: só consigo sentir e, mal e porcamente, expressar, mulher que sou. A maioria de vocês sabe mais do que eu, e aprendo com vocês e com meus mestres.
Uma coisa é certa: os homens e as mulheres estão doentes e desesperados, ansiando por alívio, propósito e paz.
O Homem-Cu - Parte II
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O cu tomou o lugar dos olhos como espelho da alma e das mãos como símbolo de poder de transformação do mundo e de toque melindroso do ser amado. Exibir orgulhosamente o bumbum, reivindicar direitos para o cu, fazer dele o mote de causas sociais, tema de teses acadêmicas e de engajamento político-partidário, seguro milionário do bumbum, performances "artísticas" em louvor ao cu, odes e canções louvando a bunda em vez da dona... o cu tornou-se o coração.
Os homens e mulheres estão num grito-silencioso a pedir "Ama-me!", mas desaprenderam essa graça. Na busca desse sentimento doce e sublime (vulnerável tal qual o orvalho, quase sacro), que faz esquecer a dureza e a feiúra e valer a pena o trabalho maçante e as conversas obrigatórias do dia-a-dia, os semi-loucos que são considerados os adultos de hoje estão alcançando os ápices da insatisfação, frustração autofágica e escravidão.
Após a liberação sexual, os homens caíram na mais abjeta e deprimente imanência, e se castigam com burrice e malícia pensando que se locupletam com prazer imerecido e insosso.
A beleza perde o valor rapidamente e é logo macaqueada para padrões não-humanos (tanto animalizado quanto angelizado), suscitando taras sexuais e aberrações do juízo estético. A sutileza dos detalhes que individualizam cada qual passa despercebida aos olhos torpes: tornamo-nos mais e mais carne barata e farta aos olhos maus, vorazes e iníquos. A carne não é mais o invólucro do ser, é o fim em si.
A sensualidade brasileira é a angústia autofágica, como ouroboros a engolir o próprio rabo.
Do Inferno, Marcuse ri-se.

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